IPO da Anthropic na Nasdaq em 2026: avaliação e ações
A empresa do Claude AI busca avaliação de US$ 2 trilhões na Nasdaq. Veja os números, investidores e o que esperar do maior IPO de IA de 2026.
A Anthropic, a empresa por trás do Claude AI, definiu a Nasdaq como bolsa para sua oferta pública inicial. Segundo reportagens de Bloomberg e Reuters publicadas em 13 de setembro, a empresa busca uma avaliação de aproximadamente US$ 2 trilhões, com estreia prevista para outubro de 2026. Se concretizada, a operação superaria o recorde anterior da SpaceX e entraria para a história como o maior IPO já realizado. Investidores globais estão de olho na abertura.
Por que a Anthropic escolheu a Nasdaq
A decisão de listar na Nasdaq faz sentido para uma empresa de IA com crescimento acelerado. A bolsa já abrigou listagens históricas de empresas de tecnologia e conta com a profundidade de mercado necessária para absorver um volume colossal de capital. A Anthropic protocolou o registro S-1 de forma confidencial junto à SEC em 1º de junho de 2026, iniciando formalmente o processo de revisão regulatória.
A disputa entre Nasdaq e NYSE por listagens de grande porte é intensa. Para a empresa do Claude AI, a Nasdaq oferece visibilidade entre investidores focados em tecnologia e uma base de comparação direta com outras empresas de IA listadas. Segundo fontes familiarizadas com o processo, Morgan Stanley liderará o consórcio de subscrição, com Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Citigroup em papéis principais. Um crédito revolving de US$ 15 bilhões está sendo finalizado com esse mesmo grupo de bancos, sinalizando a magnitude da operação. Bancos como Barclays, Wells Fargo, Bank of America e Deutsche Bank também participam do consórcio em papéis secundários.
Os números por trás da avaliação da Anthropic
Os dados financeiros explicam por que investidores aceitam uma avaliação tão alta. A receita anual recorrente (ARR) da Anthropic ultrapassou US$ 65 bilhões em julho de 2026, um salto de mais de sete vezes em relação aos US$ 90 bilhões registrados no final de 2025. O segundo trimestre de 2026 trouxe US$ 11,5 bilhões em receita, crescimento de aproximadamente 14 vezes em comparação ao mesmo período do ano anterior. Foi também o primeiro trimestre com lucro operacional ajustado positivo, na casa de US$ 559 milhões.
O Claude Code, ferramenta de programação autônoma, já gera US$ 2,5 bilhões em receita anualizada. Cerca de 34,4% das empresas americanas pagam pela Anthropic, superando os 32,3% da OpenAI em participação de gastos corporativos com IA. A retenção líquida de receita chega a 500%, o que significa que clientes antigos gastam cinco vezes mais ao longo do tempo. A margem bruta de inferência subiu de 38% para uma faixa entre 70% e 85%, indicando que a escala começa a gerar alavancagem operacional.
Quem pretende adquirir ações da Anthropic precisa entender esses números. A relação preço-receita gira em torno de 31 vezes a ARR atual, um múltiplo que exige crescimento sustentado em escala por vários anos. Analistas apontam que a empresa precisaria atingir US$ 190 a US$ 200 bilhões em receita até 2028 para justificar a avaliação de US$ 2 trilhões.
Estrutura PBC: o que muda para investidores
A Anthropic opera como Public Benefit Corporation (PBC), uma estrutura corporativa que equilibra geração de valor para acionistas com compromissos sociais explícitos. O conselho de administração deve considerar impactos além do retorno financeiro, incluindo segurança no desenvolvimento de IA. Dario Amodei e Daniela Amodei, ex-líderes da equipe de segurança da OpenAI, fundaram a empresa em 2021 com essa missão como princípio fundador.
Para investidores, a estrutura PBC adiciona uma camada de consideração. O modelo limita mudanças estratégicas que possam comprometer a missão de segurança em IA, mas não impede a busca por lucratividade. A Anthropic já demonstrou que consegue crescer e gerar lucro operacional mantendo a estrutura. Empresas como Patagonia mostram que benefício público e operações comerciais robustas podem coexistir. A diferença é que a Anthropic lida com uma tecnologia cujo impacto potencial é infinitamente maior do que jaquetas de fleece.
NVIDIA e a dança dos investidores âncora
A NVIDIA negocia uma participação de até US$ 10 bilhões no IPO como investidor âncora, segundo fontes familiarizadas com o processo. Esse tipo de compromisso, firmado antes da abertura ao público geral, serve como sinal de confiança para o mercado. A relação entre as duas empresas é estreita: a Anthropic consome GPUs da NVIDIA em larga escala para treinamento e inferência de modelos, e ao mesmo tempo busca diversificar fontes de chips com componentes da AWS e design próprio.
Além da NVIDIA, a Amazon investiu US$ 13 bilhões na Anthropic e detém entre 15% e 19% das ações. O Google mantém aproximadamente 14% de participação. Esses investidores estratégicos já são fornecedores de infraestrutura crítica, criando alinhamento entre propriedade e parceria comercial. A Anthropic comprometeu mais de US$ 100 bilhões com a AWS da Amazon ao longo de dez anos, utilizando mais de um milhão de chips Trainium2. O Grupo RUM fechou um acordo de US$ 13,7 bilhões em capacidade de computação com a empresa, reforçando a corrida por infraestrutura.
O que sabemos vs. o que é especulação
Entre os fatos confirmados: a escolha da Nasdaq como bolsa, o registro S-1 confidencial em junho de 2026 que qualquer pessoa poderá baixar do site da SEC, a série H de US$ 65 bilhões com avaliação post-money de US$ 965 bilhões em maio, e os resultados financeiros do segundo trimestre. A estrutura PBC é pública desde a fundação. A presença de investidores como Amazon, Google, Samsung e SK Hynix na mesa de capitais é conhecida. O consórcio bancário está formado.
A especulação envolve o tamanho exato da oferta. Relatos sugerem que a Anthropic busca levantar mais de US$ 100 bilhões, mas o número final depende das condições de mercado. A avaliação de US$ 2 trilhões permanece como meta, não como valor confirmado. A empresa prevê internamente receita de US$ 190 a US$ 200 bilhões até 2028, mas projeções futuras estão sujeitas a variação. A janela de listagem depende de fatores macroeconômicos: reuniões do Federal Reserve e as eleições de meio de mandato em novembro comprimem o calendário disponível. A Anthropic planeja iniciar o roadshow em meados de outubro e concluir a listagem antes das eleições.
O que o mercado espera do IPO da Anthropic
Investidores de risco estão mobilizando capital. O IPO acelerou uma corrida de empresas tentando listar antes da janela se fechar, com companhias como Nscale, Oura e Aggreko buscando espaço no cronograma. O mercado de IPOs americano já havia levantado US$ 137 bilhões até agosto, número recorde segundo a Dealogica, mas o retorno médio ponderado fica em 5,6%, bem abaixo dos 13% do S&P 500 no mesmo período. Isso significa que nem sempre um IPO recente está rendendo bem para quem compra no preço de abertura.
Para quem acompanha o setor de IA, o IPO da Anthropic é um teste de teto. A pergunta central não é se a empresa cresce rápido, mas se US$ 2 trilhões é um preço justo. Quem compra ações da Anthropic no IPO aposta que a empresa consegue transformar US$ 65 bilhões em receita anual recorrente em algo ainda maior, mantendo margens saudáveis. A empresa vende capacidade de raciocínio por API, não hardware nem publicidade. Trata-se de um modelo de negócio que nenhum investidor público teve a chance de precificar em larga escala até agora. Se o público comprar essa narrativa, o teto para o setor inteiro sobe. Se não comprar, ajustes virão rápido.

